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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Apesar do visual, Gol Rallye passa longe da aventura

Murilo Góes/UOL
 
André Deliberato
Do UOL, em São Paulo (SP)


É moda entre as montadoras dar roupagem aventureira a um carro, seja qual for a carroceria. Para isso basta adicionar, basicamente, adereços plásticos nas caixas de rodas, saias laterais, spoilers, rodas diferenciadas (normalmente escuras) e pneus de uso misto, além de dar uma leve levantada na suspensão.
Nem o Gol, o modelo mais vendido do país, escapa. Sua versão aventureira chama-se Rallye e acaba de chegar à quarta encarnação, por R$ 45.850 com câmbio manual e R$ 48.580 com transmissão automatizada, sempre com motor de 1,6 litro, flexível, de 104 cv com etanol. E desde o começo de maio existe também uma opção básica, com mudanças mais suaves e motor 1.0 TEC de 76 cv máximos -- chamada Track, começa em R$ 33.060 e já foi avaliada por UOL Carros (releia aqui).
Nas lojas, as boas vendas desses modelos mostram que o brasileiro gosta da ideia: CrossFox, Sandero Stepway, Uno Way, Saveiro Cross, entre outros, figuram sempre no topo do ranking. O próprio sucesso de EcoSport e Duster, veículos maiores e que já nasceram com espírito aventureiro, é outra prova disso.
UMA VEZ GOL, SEMPRE GOL
Logo após o lançamento, UOL Carros rodou com uma unidade do novo Rallye com câmbio manual por uma semana. Por dentro, praticamente não se enxergam diferenças entre o carro aventureiro e um Gol Highline, exceto pelos bancos com grafia exclusiva e pelas pedaleiras cromadas, acessórios na versão "civil".
O nível do acabamento (repleto de plástico duro, mas que não é de má-qualidade) e o espaço para os passageiros também é o mesmo. Quadro de instrumentos tem boa visibilidade e o sistema de rádio -- opcional de R$ 1.155, que agrega computador de bordo e volante multifuncional -- é intuitivo e tem fácil manuseio.
Quem vai atrás tem exatamente o mesmo espaço de quem vai em um Gol 1.0: regular quando há duas pessoas, desde que os passageiros da frente não tenham mais de 1,80 m, e ruim se houver três ocupantes. O terceiro passageiro tem apoio de cabeça, o que ainda é diferencial no segmento, mas usa cinto sub-abdominal. E o porta-malas leva os mesmos 285 litros que qualquer outro Gol.
  • Lama é sinônimo de rali, mas não do Rallye: hatch tem pneu de asfalto e pouca aptidão off-road
IMPRESSÕES AO DIRIGIR
As respostas do carro são as mesmas de um Gol 1.6: o bom torque, mesmo em rotações mais baixas, permite acelerações e retomadas ligeiras, sempre ajudadas pelos engates precisos do câmbio. Ainda assim, o motor 1.6 VHT, da família EA111, tem sintomas que denunciam idade avançada. O primeiro deles é a aspereza, com alto ruído que invade a cabine e incomoda os ocupantes acima de 4.000 rpm, principalmente se o rádio estiver desligado. A falta de capricho no isolamento acústico do interior contribui para isso.
Outro problema é a falta de potência. Não que os 104 cv sejam insuficientes para o regime urbano e alguma escapada nos finais de semana, mas atualmente qualquer motor 1.6 é capaz de render 115/120 cavalos. E esse "atraso" também interfere no consumo: na cidade, o carro avaliado registrou média de 5,7 km/l. Na estrada, subiu para 7,6 km/l. São números piores que os do Gol Track e que passam longe, bem longe, dos valores do Gol Bluemotion.
MUDA PARA SER IGUAL
Quem achou que a suspensão 28 mm mais alta poderia render problemas de estabilidade, se enganou: os 2,8 cm a mais são compensados por um conjunto mais firme de molas e amortecedores. A sensação que o Rallye passa em curvas é a mesma de se guiar um Gol 1.6 comum, com suspensão no ajuste normal. Mas valetas, lombadas e buracos -- obstáculos de ruas e avenidas que cada vez mais se parecem com picadas -- são vencidos mais facilmente.
Nem tudo é vantagem: a altura extra atrapalha o Gol Rallye em velocidades mais altas, criando ruído aerodinâmico e deixando a cabine ainda mais barulhenta.

CONTRADIÇÃO
Durante o lançamento do novo Rallye, a Volkswagen também anunciou a estreia do Gol Track, opção "descolada" mais em conta, com motor 1.0 e suspensão 23 mm elevada, "para quem não tem poder aquisitivo ou não quiser" comprar o mais caro.
Um ponto contraditório, porém, chamou a atenção dos jornalistas: por que o Rallye é equipado com pneus de asfalto, de perfil baixo, e o Track usa pneus de uso misto? Não seria correto ter a versão mais cara -- e, teoricamente, mais preparada para o off-road -- com pneus diferentes? A Volkswagen diz se basear em pesquisas: "Percebemos que o cliente do Gol Track utiliza mais estradas de terra e cascalho do que o do Rallye, que procura no carro apenas um visual diferenciado e mais esportivo", afirma um representante da marca.
Essa resposta é capaz de concluir nossa avaliação: se você quer visual diferente, precisa encarar um terrinha batida leve ou a buraqueira urbana, mas abre mão de resposta mais forte ao acelerador, fique com o Track e guarde os R$ 12.790 (a diferença de preço para o Rallye) para gastar com outra coisa.
Visual é importante? O Gol Rallye agrada, mas por R$ 45 mil existem outras opções no mercado. Quer um aventureiro? Há o Renault Sandero Stepway (R$ 43.790 com motor 1.6 de 106 cv e mais espaço) ou o Hyundai HB20X (R$ 48.755 para entregar até 128 cv e estilo mais atual). Ou ainda: quer mais visual, tecnologia, segurança e espaço? Vá de Ford New Fiesta (a partir de R$ 38.990), Peugeot 208 (desde R$ 39.990) ou Citroën C3 (R$ 41.055).
Veja também como é o Gol 1.0 Track, o aventureiro de entrada da Volkswagen
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